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História

Benedita Cipriano Gomes - Santa Dica

Dica nasceu em 17 de janeiro de 1903. Foi à única representação em Goiás do movimento messiânico ocorrido no Brasil. Nasceu na fazenda Monzodó, a 40 KM de Pirenópolis, no vilarejo da Lagoa, que deu origem ao atual município de Lagolândia.

Desde cedo, Dica revelou seus dons especiais e manifestações mediúnicas. Aos 13 anos, Benedita cai enferma. Após tentar os recursos locais, chás e simpatias, é tida como morta ao final de três dias de prostração. “Ressuscita”, no entanto, ao lhe ser dado o tradicional banho dos defuntos.

A partir desse episódio ela chamou a atenção dos sertanejos locais que começaram a vê-la como portadora de algum tipo de poder.

No princípio, Dica foi tida simplesmente como curandeira, diagnosticando males e lhes aplicando os remédios adequados.

Após as primeiras curas, ela passou a ser acreditada também como milagreira, ao dar respostas que correspondiam às expectativas dos “fiéis”. Mas, Dica sofreu a passagem de milagreira a profetiza, pois, começou a dar conselhos, transmitir ordens e prever o que aconteceria em breve. São os milagres e profecias que transformaram a adolescente Benedita Cipriano Gomes em “Santa”, para aqueles que ali se achavam. Fez com que a propriedade rural se tornasse habitação permanente de um grande número de pessoas, originando mais tarde a “República dos Anjos” (atual Lagolândia).

A religiosidade desenvolvida por Santa Dica, juntamente com seus adeptos, consistia em conferências realizadas pela mesma e os anjos, que faziam parte da falange que ali vinha propor um novo modo de vida à população, ou mesmo para operar prodígios por intermédio daquela que era escolhida para tal. Há muitas histórias sobre milagres realizados por Dica. Conta-se que ela levitou, curou leprosos e outras enfermidades.

A romaria aumentava e a influência de Dica incomodava os políticos de Goiás, que temiam um episódio semelhante a Canudos. A “República dos Anjos” era um lugar que não obedecia às leis. O povo não pagava tributo e as fazendas deixaram de ter limites. Era uma espécie de comunidade socialista. No episódio conhecido como o “fogo” no 14 de Outubro de 1925, a guarda estadual atacou o povoado e Dica ordenou que todos se lançassem nas águas do Rio do Peixe para se salvarem.

Segundo depoimentos das pessoas mais antigas da cidade, anjos aparavam as balas que castigavam o povoado para protegê-los. Outros dizem que Dica se lançou na frente das balas e as retia com os longos cabelos negros. Mais tarde, Dica foi presa e levada para a capital do estado, Goiás Velho.

O episódio só aumentou a fama de proteção celeste sobre a mulher. Em 1932, durante a Revolução Paulista, ela comandou um pelotão de 150 homens a São Paulo para defender a integridade nacional. Conhecidos como “Pés com palha, pés sem palha” (assim ela ensinava os matutos a marchar). Voltou sem baixas e com a patente de Cabo do Exército Nacional.

A história se tornou conhecida em todo país. Dica foi levada para Rio de Janeiro e São Paulo para testes mediúnicos na Federação Espírita. Um famoso jornalista do Diários Associados foi designado para provar a possibilidade de charlatanismo, o Jornalista Mário Mendes, que acabou se envolvendo afetivamente com a milagreira. Casaram-se e tiveram cinco filhos. Mais tarde, ela foi vendida (por 40 contos de réis) pelo próprio marido para outro homem.

Por sua importância, Dica chegou a ser retratada numa pintura em nanquim por Tarsila do Amaral, um dos principais nomes do modernismo brasileiro. Dica é considerada um símbolo do movimento feminista em Goiás.

Dica morreu em 1970 acometida por um problema intestinal. Porém, seu misticismo permanece na cidade de Lagolândia. Há relatos de curas mesmo depois de sua morte. Na casa onde Dica morava, funciona um centro de reuniões espíritas, dirigido por Divina Soares, que se auto-intitula sucessora de Santa Dica.

Fonte: Agecom

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