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Arquitetura Neocolonial de Pirenópolis

 

11/05/2014

No final da década de 70, inicio da década de 80 chega a Pirenópolis um grupo de Hippies Artesãos com o intuito de comprar terras no município para implantarem uma comunidade alternativa, a qual recebeu carinhosamente o nome de "Terra Nostra".

Logo após a aquisição das terras o grupo começou a reforma e ampliação de um pequeno rancho que havia no local ao mesmo tempo que iniciavam a construção de uma casa que ficou conhecida pelo nome de "Casona".

Essa casa seria a base de hospedagem das famílias de diversas regiões do planeta que chegaram à Terra Nostra para iniciarem todo um processo de assentamento ao estilo comunitário, conhecido por "Comunidades Alternativas", mas nessa época, em sua grande maioria nos países de primeiro mundo.

A partir dessa base, cada família construiria sua própria moradia num espaço de aproximadamente 250 hectares, os quais se ampliaram para cerca de 600 (seiscentos) hectares com novas aquisições de parte do grupo que ainda estava em processo de formação.

A primeira casa individual começou a ser construída por Edson Paranhos, pioneiro do grupo, e como não havia mão de obra especializada em construções utilizando métodos mais conhecidos em grandes cidades, Paranhos, que tinha pouquíssimo conhecimento de construção e arquitetura, encontra um mestre de obras que conhecia profundamente as técnicas de construção colonial sendo um especialista no quesito construção de currais para manejo de gado, era o "Sr. Vicente Crente".

Nessa mesma ocasião estava, em suas idas e vindas de Brasilia para Pirenópolis, o arquiteto Maurício Azeredo, professor da UNB na época, que iniciava a restauração da casa da rua Direita 36 ao mesmo instante que Evando Moreira, já falecido e integrante pioneiro do Grupo Terra Nostra, também iniciava a restauração da casa da Rua 24 de Outubro nº3.

Houve, então, duas tendências que aconteceram quase que simultaneamente, sendo uma delas onde o arquiteto Azeredo, que realizava restauração de interiores mas que seguia à risca a preservação absoluta dos exteriores coloniais pirenopolinos, e Evando Moreira no mesmo segmento de restauração de interiores mas pincelando externamente o colonial pirenopolino com toques do barroco mineiro.

Na verdade, o arquiteto Maurício Azeredo foi quem mais incentivou a conservação das casas coloniais pirenopolinas e o responsável por despertar o anseio à preservação, além de ter recuperado inúmeras casas no centro histórico.

Diga-se de passagem, que boa parte dos proprietários de casas colonias do centro histórico não gostavam daquelas "casas velhas", e nas reformas preferiam utilizar métodos atualizados e que não tinham absolutamente nada a haver com o conjunto arquitetônico colonial. Muitos até preferiam demolir as mesmas para construir casas mais "modernas"

Já a segunda tendência foi a da "Construção Neocolonial"(como assim a chamei), partindo da base e sem necessariamente seguir o tradicionalismo do colonial pirenopolino, essa sim desenvolvida por Edson Paranhos.

Paranhos que em sua época estudantil, apenas iniciou estudos na Faculdade de Arquitetura da Escola de Belas Artes de Lisboa, sem continuidade, foi quem idealizou a primeira casa na região utilizando a técnica colonial pirenopolina, mas com design totalmente diferenciado e baseados em conhecimentos auquitetônicos visuais que assimilou em suas viagens ao redor do mundo.

Com o desenvolvimento da "Casa da Terra" como assim a chamou, outras quatro ou cinco obras foram sendo desenvolvidas na própria "Terra Nostra" seguindo os padrões da idealizada por Paranhos.

Depois de terminadas e já habitadas, receberam centenas de visitantes dos quais um deles foi Susan Bello, norte americana esposa de um diplomata residente em Brasília, e que adquiriu lotes num dos primeiros loteamentos expansionistas da cidade, o conhecido Bairro do Carmo. Lotes esses que haviam pertencido anteriormente a Paranhos

Com suas idas e vindas à "Casa da Terra", Susan Bello que adorava a casa propriamente dita, resolve construir no Bairro do Carmo sua casa baseado no que via e sentia na Terra Nostra, essa construida por Paulo Sergio Galeão, o qual denomina essas construções como "Hibridas".

A segunda tendência, que teve seu inicio na "Casa da Terra", se expandiu sem premeditação de maneira inimaginável e culminou nas dezenas e mais dezenas de casas que foram sendo construídas em inúmeros condomínios, e ao redor do centro histórico.

Dentre elas damos ênfase à casa onde está instalada a Galleria Shop, sito à Rua do Bonfim 18, Ponte de Pedra, a qual foi a primeira delas no centro histórico, essa construída pelo saudoso Evando Moreira, o mesmo que pouco antes restaurara a casa da Rua 24 de Outubro.

Como nessa época Pirenópolis não havia, ainda, sido tombada pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico Nacional), a obra "Neocolonial" foi realizada no Centro Histórico sem impecílio do setor de obras da prefeitura da época, exatamente como a casa da 24 de Outubro 3, que também tem seu estilo neocolonial, incluindo em si um segundo pavimento e com entrada lateral.

Outrossim, com o passar do tempo, novas técnicas foram surgindo e sendo misturadas com as anteriores já utilizando concreto no lugar de madeira.

Um dos motivos dessa mistura foi, além dos movimentos de preservação do meio ambiente, a carestia das madeiras ditas nobres, como a Aroeira, o Pau-brasil, o Pau D'arco dentre outras, que eram utilizadas como esteios bases e travamentos para que as obras tivessem suporte.

Assim foi dada a continuidade da construção da cidade, que iniciara em 1727, como que um renascimento, numa nova fase pós a extensa regressão econômica pela qual passara por muitas e muitas décadas.

Pirenópolis que nesse seu momento histórico não tinha mais perspectiva de crescimento, mudou "da água para o vinho"; isso aliada à abertura de acessos pavimentados para a cidade, ao desenvolvimento do turismo, ao reconhecimento da cidade como Capital das Joias em Prata, ao tombamento da cidade pelo IPHAN, dentre outros importantes acontecimentos.


Não esquecendo que no inicio do século XX as famílias pirenopolinas de maior poder aquisitivo fizeram reformas significativas nas fachadas de muitas das casas do centro histórico e também novas construções no estilo neoclassico e art decô; para isso basta comparar o Teatro Municipal com o Cinema local.