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Crônica - Piri é ali!

02/08/2008

Um rosto que mesmo marcado pelo tempo não perdeu a beleza. Um porte de rainha e uma voz tranqüila. A designer em jóias me convenceu de cara a comprar uma de suas peças. Um brinco de prata que parece um clipe. Mexendo nas gavetas cheias de pulseiras, pingentes, anéis e colares criados por ela, ouvi sua história.

Foi repórter em São Paulo e largou tudo para morar em Pirenópolis, uma pequena cidade goiana, há pouco mais de 100 quilômetros de Brasília. Um pedaço do paraíso cercado de rios e cachoeiras.

O pai, conta ela, até hoje brinca dizendo que a filha comeu arroz integral demais e isso fez mal para cabeça. A designer garante que a mudança só fez bem e que há 25 anos ela sabe o que viver longe do estresse da cidade grande. Não se arrepende um segundo sequer da troca.

Alguns passos depois, outra loja. Roupas e incensos indianos e mais uma história. Ela, mais menos 30 anos, mudou-se para Piri- como chamamos carinhosamente- há cinco anos. Nasceu em Florianópolis, morou no Rio de Janeiro e agora quer viver o resto da vida naquele pedaço de Goiás. Com a mesma fala mansa e aquele jeito de quem não tem pressa, contou-me que demorou a descobrir que suga a energia de onde vive.


Dependendo de onde está ou fica calma ou agitada. Absorve o que se passa ao redor. Ali, ela era quase um monge. Zen total. E se ela se contaminava com o ambiente da mesma forma ela contagiava quem estava ao seu redor. Comprei uma blusa com o desenho de Shiva e sai me sentindo mais leve que o ar.

Andei pelas ruas do século XVIII, fiz a trilha de tropeiros no ciclo do ouro, visitei a Igreja Matriz, restaurada depois de um incêndio, tomei sorvete de tapioca, comi sementes de baru, que parecem amendoins, fui à feira hippie-Piri foi berço dos hippies na década de 80 - mergulhei nas águas geladas de seus rios e cachoeiras, e comi a tradicional comidinha goiana, com direito a arroz com pequi e muito doce de sobremesa.

Conversei com nativos e descobri que se a paz reina em algum lugar 24 horas por dia é ali. Ninguém parece se aborrecer, tudo pode ser para daqui a pouco, ou amanhã. Lá, se vive um dia de cada vez.

Na Rua da Alegria vi outros tipos. Gente diferente, como eu. Durante a noite, elas invadem as casas que embora conservem a arquitetura da fundação se transformaram em restaurantes, bares, lojas e cantinas.

Alguns desfilam modelitos urbanos pelos calçamentos seculares como em passarelas, falam alto, cantam desafinados a música sertaneja típica daquele lugar. Contrastam com a história que os cercam. São pessoas da cidade.

Fugitivos da rotina, turistas que movimentam a economia, mas que tiram o sossego de quem assim como a designer e a vendedora de roupas indianas fecham as portas e vão tentar dormir embaladas pelo som de quem passa o resto do ano sem saber o que é o silêncio.