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Ode a Pirenópolis, por Rosenwal Ferreira

03/07/2006

Para Gilberto Amado, "felicidade é sinônimo da tranqüilidade.Ser feliz é ser tranqüilo". Ao receber um afável e profissional convite para comparecer ao Terceiro Festival Gastronômico de Pirenópolis, jamais imaginei encontrar, em pleno cerrado goiano, um local tão aprazível ao ponto de ser rivalizado com os mais sofisticados retiros existentes no planeta.

O bucólico das ruas, com suas históricas pedras irregulares, me fez recordar lugarejos medievais encastelados entre a Espanha e a França. A primorosa declaração das charmosas pousadas recorda albergues que me abrigaram na região de Saint Tropez.

O charme inigualável de plantas e flores nativas iluminou um colorido que só presenciei no final de inverno e começo de primavera na fascinante Luxemburgo. O esmero na preservação dos casarões coloniais é uma gratificante representação da qualidade de nossos artesãos.

Pirenópolis inteira emana boa fortuna. Vendedores satisfeitos, doceiras com sorriso farto, artistas que esbanjam talento nas calçadas limpas, iluminação que convida ao romance. Gente agradável que não se farta em levar o turista até o local em que procura. Tive que me beliscar para ver se não estava sonhando.

Mais ou menos no quilômetro dezoito, antes de chegar à cidade, numa estrada com surpreendente excelência, existe um tapete de flores silvestres vermelhas de cair o queixo. Eu fiquei ali, pasmo, encantado. Estava em Goiás.

Nem sequer preciso falar do Festival Gastronômico – que, aliás, foi um show irreprochável – para dar viva às altas culinárias local. O conjunto de bons restaurantes é difícil de ser encontrado em qualquer lugar do mundo no comparativo de um lugarejo com turismo sazonal.

Citar alguns e deixar outros de fora é cometer uma injustiça. Mas é possível louvar a incansável Márcia Pinchemmel – Lê Bistrô – como exemplo da alma que permeia o circuito de boa mesa. Essa baiana arretada foi quem idealizou o circuito, abrindo portas para que a cidade pudesse ser divulgada no preconceituoso eixo nacional e internacional.

É impossível descrever Pirenópolis em todos os merecidos detalhes. Há de se visitar. As cachoeiras me fizeram recordar parques ultra protegidos na região do norte do Michigan, particularmente na tombada Mackno Island, na qual se pode nadar e beber da água cristalina. Rejuvenesci décadas mergulhando nos oásis que nunca pensei existir por estas bandas.

A igreja recém-recuperada me trouxe à memória a cidade alemã de Fulda, que se ergueu em detalhes após ser queimada pelos bombardeios da Segunda Guerra Mundial. Quanta dedicação nas minúcias, nos afrescos, restituídos à forma original.

Como se tudo isso, e mais muito mais, não bastasse, ainda foi possível desfrutar de uma sessão de massagem de fazer inveja ao mestre Okiama Sato, que me atendeu emergencialmente no Japão. Segundo informações do presidente da Agetur, Marcelo Safadi, anfitrião zeloso, o item mais importante da cidade é a qualificação dos profissionais que agem no segmento da medicina alternativa.

A fascinante Britz Lopes e seu companheiro, o intelectual Marcio, conseguiram deslumbrar os jornalistas do Estado, Folha de S. Paulo, Revista Gula, Jornal do Brasil, O Globo e uma outra dezenas de publicações, dissertando sobre temperos de nossa lavra, permitindo que eles curtissem uma viagem inesquecível. Eu ali, admirado, aprendendo o que Pirenópolis significa.

Lição final sem retalhos. É uma região tranqüila, naquela acepção ampla que faz respirar felicidade. Não tive dúvidas, fiz reserva para voltar no próximo final de semana. Sem medo de ser feliz.

*Rosenwal Ferreira é jornalista e publicitário

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