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Entrevista com Fernando Perillo

27/09/2006

Fernando Perillo, além de cantor, é gerente executivo do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica) e coordenador dos projetos musicais da Agência Goiana de Cultura Pedro Ludovico Teixeira. Perillo, que participou da coordenação executiva da sétima edição do Canto da Primavera, em Pirenópolis, que contou com cerca de 40 shows, falou com exclusividade ao pirenopolis.com.br. Um dos assuntos abordados por Fernando Perillo é a invasão da música eletrônica no festival criado para contemplar a música popular.

Qual seu envolvimento com o Canto da Primavera?
Meu envolvimento com este festival de música é total, desde a criação do projeto. E eu fui o coordenador durante os sete anos. Também sou responsável pela organização das oficinas de música durante o evento.

Qual era o objetivo do Canto da Primavera há sete anos?
A idéia do governador era, inicialmente, fazer um grande festival que contemplasse cada área da cultura. Isso começou com o Fica, que é da área de cultura e meio ambiente e, em 2000, resolveu fazer um evento vertical para a música, depois para o teatro, em Porangatu, que é o Tenpo, a Bienal do Livro, que é o evento da área da literatura e tivemos também o Paralelo, que é destinado à dança. Então, existem os eventos pontuais que são realizados anualmente, exceto a bienal, fora os que são feitos no cotidiano. O Canto da Primavera sempre teve como objetivo ser uma ampla mostra de música, que fosse o retrato mesmo fiel da música popular brasileira no sentido mais amplo da palavra, ou seja, abrir um leque, traçar uma panorama no que se refere à riqueza da MPB e concomitante fazer as oficinas que trouxessem o conhecimento e incentivasse os alunos a terem contato com esses professores de primeiro time.

Como funcionam as oficinas?
O nosso desejo é que esses professores fossem mesmo os professores que os alunos realmente quisessem, que se sentissem motivados a ter aula com eles. E as oficinas são um sucesso enorme. Trouxemos aqui Ernesto Pasqual, como padrinho, Wagner Tizzo e outros professores que são a nata da música internacional. Nós estamos muito realizados com o festival porque são quatro palcos conceituais que oferecem desde a música popular, sertaneja de raiz até a moderna música instrumental, passando pelo pop rock, MPB, rock. Então, está aí todo o painel, toda a estrutura, toda a grade da música brasileira sendo representada aqui no Canto da Primavera.

Se você vai a Rua do Lazer durante o evento vai achar que o Canto da Primavera é um grande festival de música eletrônica. Isso não era previsto?
É uma decepção. A cidade que está hospedando o Canto da Primavera teria que ter um cuidado com relação a isso, que escapa das nossas mãos porque nós não somos responsáveis por essa área de cuidar do trânsito...

É da Prefeitura?
É. Nós estamos aqui para cuidar do festival propriamente dito, da parte artística, da logística. Eu lamento. Mas não são tantas as pessoas que fazem essa algazarra.
São muitas.

É? Pois é. Isso deveria ser coibido através de uma lei municipal que coibisse, que permitisse ao turista que vem para cá para ouvir a música em paz, que pudesse ser respeitado no que se refere a sua permanência aqui.

Pirenópolis ainda comporta o Canto da Primavera, que reúne 25 mil pessoas por dia?
Isso é uma coisa para ser repensada. O festival, nesses últimos anos, era feito durante 10 dias. Com relação à capacidade que a cidade tem para receber turistas, tem relação com o Carnaval, a Festa do Divino, aos grandes eventos em geral. E Pirenópolis é uma cidade eminentemente turística. Eu acho que ela tem que, a partir de agora, como a cidade ficou muito famosa, traçar uma política efetiva e séria com relação a como ela quer ser uma cidade turística. Se ela acha que não pode ser assim ou assado, isso cabe ao município resolver e o poder público tomar essa incumbência, essa decisão política de realizar isso.

E qual o resultado desse Canto da Primavera?
Resultado maravilhoso, artisticamente impecável. O único contratempo foi essa invasão de carro automotivo, que é uma praga que está acontecendo em todo o estado de Goiás. Se é uma festa de som automotivo tudo bem, mas na cidade acho que não pode permitir em hipótese alguma, porque atrapalha a música, o turista, o sossego das pessoas, fica feio, chato, poluído e através disso aí vem uma bagunça, um mau comportamento.

Há algum plano por parte do governo para que não se deixe distorcer a intenção do festival?
Não, o festival não foi distorcido. O fato de certas pessoas terem o comportamento de ligar o som alto é uma decisão dessa pessoa. Eu acho que cabe à cidade coibir isso, que não é nossa obrigação.

A seleção dos artistas regionais este ano foi feita por meio de edital. O que mudou?
Eu acho que democratiza no sentido de colocar a todos a oportunidade de fazerem a inscrição e através dos critérios estabelecidos serem escolhidos. Então, acho que é um caminho bacana.